3 de fevereiro de 2024

A Maldição do Queen Mary

The Haunting of the Queen Mary (EUA, 2023)

Diret Gary Shore
Com Alice Eve, Joel Fry, Wil Koban, Florrie Wilkinson, Lenny Rush, Nell Hudson, Wesley Alfvin, Angus Wright, Dorian Lough, William Schokley, Tim Downie.

A Maldição do Queen Mary

A cultura do excesso. Produção grandiosa e ambiciosa que curiosamente não entusiasma nem na hora de dar sustos. The Haunting of the Queen Mary tentou ser um horror épico, porém se perdeu na quantidade de mini-acontecimentos ao longo de suas duas horas de duração.

Alternando a narrativa entre acontecimentos na década de 1930 e contemporâneos, o filme tenta ser um amplo painel baseado na fama que a famosa embarcação tem de assombrada devido a seu longo histórico de serviços. Como se o Queen Mary fosse um Overlook Hotel marítimo. O maior problema é o elenco não muito simpático que causa um certo afastamento, ou desinteresse, em quem assiste. O roteiro alinha basicamente duas histórias: a da viagem de inauguração em 1938, onde David Hatch, um ex-soldado de rosto mutilado, enlouquece e ataca conhecidos e desconhecidos a machadadas, e a estadia da repórter Anne Calder na intenção de fazer uma matéria sobre a embarcação. No processo são lançados diversos sub-plots que se alinham caoticamente na tentativa de inventar estilo na narrativa. Desnecessário, e o preço a pagar é um filme confuso que não resolve de forma satisfatória a quantidade de situações que apresenta. Pior ainda é desconcentrar sua evolução dramática em surpresas paralelas como o destino do garoto-anão na piscina, a "entidade" que brota do celular, a loucura do novo capitão, o drama da menina que quer ser dançarina (a única personagem a despertar alguma simpatia), junte a isso a ênfase pouco coerente em certas sequências – como a apresentação de Fred Astaire – e o resultado é um filme que parece convidar a decifração de charadas que não levam a lugar nenhum. É possível que a embarcação seja uma imensa armadilha que aprisiona vivos e mortos em um pesadelo sem fim.

A Maldição do Queen Mary

Assim, A Maldição do Queen Mary é mais um dos equívocos do fantástico moderno onde o empenho estético e a pretensão em "estilizar" se tornam a meta máxima em prejuízo do entretenimento mais básico. Nesse aspecto temos uma série de referências (de O Iluminado a Dario Argento) e momentos esteticamente notáveis, mas que acabam por obliterar a atmosfera, a narrativa e a concentração dramática.

• Porradaria de primeira: a morte a machadadas na cabine!
• Corredores e tapetes remetem claramente a O Iluminado.
• Destaque à jovem Florrie Wilkinson como a jovem dançarina, em um raro momento de leveza e simpatia no filme.
• Resumindo: A Maldição do Queen Mary é empenhado na construção de grandes momentos, mas são tantos que se anulam mutuamente.

Expectativa 🚢🚢          Realidade 🚢🚢

A Maldição do Queen Mary
... a maldição do diretor pretensioso.

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