12 de fevereiro de 2019

Goblin

Goblin

Gritos e sussurros. Pertencente a escola progressiva italiana (o país mais criativo nesse gênero musical depois da Inglaterra), o grupo iniciou atividades com o nome Cherry Five. Eram contratados do selo Cinevox, selo com uma extensa história ligada à edição e comercialização de trilhas sonoras. O Cherry Five teve um bom LP de estreia, mas de mediana repercussão em seu mercado. Foram então apresentados ao diretor Dario Argento, que procurava um grupo de rock para musicar um de seus thrillers. E o resto é a história que já decoramos...

O grupo – composto pelo tecladista Claudio Simonetti, o guitarrista Massimo Morante, o baixista Fabio Pignatelli e o baterista Walter Martino – mudou o nome para Goblin e gravou sua primeira trilha sonora: Profondo Rosso (Prelúdio Para Matar, 1975), um thriller de grande sucesso e que consagraria o grupo. O álbum acabou por constituir uma trajetória incomum para o Goblin, afinal são poucos os grupos que têm seu sucesso no mercado garantido por um trabalho instrumental e ainda por cima uma trilha sonora, “gênero” que nunca foi muito interessante para as perspectivas comerciais das gravadoras.


A parceria com Dario Argento se estendeu a outros trabalhos como Suspiria (1976), e o clássico de zumbis Dawn of Dead (Despertar dos Mortos, 1978) de George Romero, co-produzido por Argento. Depois de Suspiria o grupo tentaria um trabalho paralelo às trilhas: Il Fantástico Viaggio Del Bagarozzo Mark, um álbum clássico no formato progressivo e um de seus melhores momentos.
Em 1976 o baterista Walter Martino passou a integrar o grupo Libra que também teve uma interessante passagem pelo cinema compondo a trilha para o filme Shock (1977), de Mario Bava. Com a entrada de Agostino Marangolo no posto de Walter, o Goblin gravaria o célebre álbum Roller (algumas faixas seriam aproveitadas como trilha sonora do suspense australiano Patrick, quando de seu lançamento na Itália).
Nos anos seguintes o Goblin tentaria uma saudável variação sonora compondo trilhas para filmes de ação policial como La Via Della Droga (1978) e Squadra Antigangster (1979) e até uma comédia romântica Amo Non Amo (1979). E ainda duas grandes trilhas de horror: Buio Omega (1979) e Contamination (1980), de maior evidência eletrônica e com as fortes linhas de baixo já características de seu som. 

Oficialmente o Goblin deixou de existir em 1980, mas posteriores reuniões – em trio ou em dupla – aconteceriam como nas trilhas de Tenebre (1982) e Phenomena (1985), para Argento novamente. Claudio Simonetti (nascido em São Paulo e filho do maestro Enrico Simonetti) foi o membro mais ativo do grupo, sempre se dedicando a thrillers e filmes de terror. O Goblin seria reabilitado com a trilha de Non Ho Sonno (2000), mais um thriller de Dario Argento e que marcou a volta de uma parceria cultuada por décadas por uma legião de fãs no mundo todo.
Atualmente o nome virou uma marca disputada pelos integrantes (esses artistas vaidosos!) e se ramificou em dois projetos, o “oficial” Goblin que voltou aos palcos em shows bem recebidos e o Simonetti´s Goblin que dá extensão às atividades de Claudio nos palcos e nas trilhas sonoras. Simonetti chegou a se apresentar no Brasil em 2013 como convidado do Fantaspoa, Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre.

Morante, Pignatelli, Simonetti e Argento
Morante, Pignatelli, Simonetti e Argento

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