25 de fevereiro de 2019

As fusões macabras de J. K. Potter

As fusões macabras de J. K. Potter

"O grotesco é belo, o bizarro, sublime
e o macabro é um assunto raro e delicioso."

• J. K. Potter é um ilustrador americano nascido em 1956. Com esse nome de milionário do velho oeste, Potter é autor das mais apavorantes imagens para capas de livros que já se viu. Tenho especial afeição pelas fusões dimensionais das imagens lovecraftianas! A fusão surreal de organismos e outras formas (ou mais organismos) é a chave para a criação de Potter.

17 de fevereiro de 2019

Pete Walker, o anti-aristocrata.

Pete Walker filmsUm curioso caso de diretor que assumiu o cinema B, o esculacho em um meio produtivo que sempre buscou a austeridade formal. No aristocrático cinema inglês as eminências em filme pop-trash são raríssimas e Pete Walker é certamente o nome mais importante do segmento.

16 de fevereiro de 2019

O Terror - o mistério elegante de Arthur Machen

"Via na profundeza daquela escuridão pontos de fogo e luzes coloridas, tudo reluzindo e se movendo, e o ar tremulava. Olhei fixamente para dentro da noite e a árvore negra se ergueu acima do telhado do celeiro e se elevou no ar e flutuou na minha direção".

15 de fevereiro de 2019

Pós Apocalipse - um dia isso tudo será seu...

The Road

Guerra nuclear? Meteoro? Impeachment? A ameaça da destruição total é um medo que preocupa o homem provavelmente desde que este se organizou socialmente. Na cultura de massa após a Segunda Guerra o conceito de destruição ganhou novo sentido e dimensão fosse no inconsciente coletivo, fosse como material para ficção sensacionalista. A destruição provocada pelo próprio homem.

13 de fevereiro de 2019

A Field in England

A Field in England (ING, 2013)

Diret Ben Wheatley, com Michael Smiley, Reece Shearsmith, Julian Barratt, Peter Ferdinando, Richard Glover. 

A Field in England

Ascendente em cogumelo! Um dos mais originais e inventivos filmes do fantástico moderno! No século XVII durante a guerra civil inglesa, Whitehead é um assistente de astrólogo que auxilia um militar na busca de O´Neil, um comandante rival que precisa ser capturado. Mas a missão falha e um grupo de desertores acaba se formado entre soldados rivais e Whitehead. Fugindo dos bombardeios e indo na direção de uma suposta cervejaria, o quarteto atravessa um grande descampado e depois de uma suspeita refeição feita de cogumelos encontram O'Neil, figura misteriosa que começa a exercer insuspeitados poderes sobre o quarteto. Whitehead o considera prisioneiro e o conduz com a ajuda dos demais, mas O'Neil reverte facilmente a situação e a percepção dos seus captores para finalmente submeter o jovem astrólogo na localização de um tesouro enterrado no campo.

Antonius Rex

Antonius Rex

La musica del buio! Grupo/projeto do guitarrista milanês Antonio Bartoccetti do final dos anos 60! Um som de difícil classificação. Apareceu em listagens de rock progressivo por seu grande espaço a longas passagens instrumentais, mas também tem um som fortemente referente à cultura gótica que ainda nem era relacionada ao pop-rock em fins dos anos 60! Também não dá pra inseri-lo no rótulo hard-rock ou heavy. Então, o que dizer do projeto que soa mais como trilha sonora de filme (de terror) com suas combinações de órgão acústico e guitarras saturadas de distorção antes mesmo de Tommy Iommi fazer história com sua SG encapetada?

12 de fevereiro de 2019

Mais Trilhas Sonoras

Trilhas Sonoras

"Trilha sonora é como um filme sem imagens". Quem disparou essa velha pérola depreciativa não entendeu que é justamente essa a graça da brincadeira. As trilhas são o local escuro do cinema antes do preenchimento com a imagem! É como acessar a dimensão do filme por outra via. No processo da "suspensão de descrença" – afinal sabemos que todo o filme é de mentirinha – a trilha musical tem função essencial em embalar nossos sentidos e nos fazer participar (para não dizer acreditar) no drama fake que se projeta. Aí vai mais um pouquinho de trilhas selecionadas do Black Phillip para dar sequência ao post anterior.

Quem a Viu Morrer?

Chi L'ha Vista Morire? (Itália, 1972)

Diret Aldo Lado
Com George Lazenby, Nicoletta Elmi, Adolfo Celi, Anita Strindberg, Dominique Boschero.

Chi L'ha Vista Morire? (Itália, 1972)

Criança sem esperança... Um giallo dos bons feito por diretor não muito citado no gênero. Anos depois de um caso de infanticídio arquivado sem solução, um maníaco volta a atacar crianças. George Lazenby é um escultor que inicia investigação por sua conta quando um novo crime acontece. E no decorrer das investigações da polícia, e do escultor, pessoas próximas ao assassino e que sabem demais, começam a aparecer mortas.

O Vampiro de Karnstein e Outras Histórias

"Pela visão interior pude ver coisas que estão na outra vida mais claramente do que as que vejo neste mundo. Fica patente assim que a visão externa só existe por causa da interior, e esta graças a uma mais interior ainda, e assim por diante... " (Chá Verde)

Goblin

Goblin

Gritos e sussurros. Pertencente a escola progressiva italiana (o país mais criativo nesse gênero musical depois da Inglaterra), o grupo iniciou atividades com o nome Cherry Five. Eram contratados do selo Cinevox, selo com uma extensa história ligada à edição e comercialização de trilhas sonoras. O Cherry Five teve um bom LP de estreia, mas de mediana repercussão em seu mercado. Foram então apresentados ao diretor Dario Argento, que procurava um grupo de rock para musicar um de seus thrillers. E o resto é a história que já decoramos...

10 de fevereiro de 2019

E Tanta Paura

E Tanta Paura (Itália, 1976)

Diret Paolo Cavara, com Michele Placido, Corinne Clery, Quinto Parmeggiani, John Steiner, Eli Wallach, Tom Skerritt. 

E Tanta Paura

Reinventando a roda. Giallo que tentou escapar das convenções do gênero em um resultado bem curioso. Na carreira diferenciada de Paolo Cavara, ele já havia ganhado notoriedade com os documentários Mondo, inciou-se na ficção com o "traidor" Occhio Selvaggio e fez em seguida um giallo clássico O Ventre Negro da Tarântula. Fez um faroeste fora da época, Rápidos Brutos e Mortais (1973) e algumas comédias. Aqui ele busca reinvenção nos ingredientes do giallo contando as investigações de um policial sobre diversos assassinatos que não tem imediata ligação entre si. Com a ajuda de um detetive particular de métodos sofisticados (Eli Wallach), a investigação leva a um grupo de excêntricos milionários ligados a rede de prostituição.

Outra Música 2

Continuando com a sugestão de sons macabros de Outra Música, agora mais contemporâneos e eletrônicos. Nestes tempos de acesso digital, as possibilidades de inventar e expor trabalhos novos é grande, e aí tivemos o chamado Dark Ambient, trabalhos repletos de instrumentais editados e com muita cara de trilha sonora. Sem virtuosismo técnico e valendo mais pela proposta conceitual. Alguns dos selecionados pertencem a essa categoria: James Plotkin, Old Tower e Demdike Stare.

Roland Topor - um surreal no cinema

Roland Topor

• Roland Topor, ilustrador, escritor e ator destacado pelo conteúdo surrealista de seu trabalho. Se tivesse produzido no mercado americano, hoje certamente seria lembrado como figura pop-cult. Descendente de judeus poloneses, Topor nasceu em 1938 em Paris, quando sua família para lá se mudou depois da ascensão do nazismo. Foi figura marcante do surrealismo por seus desenhos incomparáveis, bizarros, frequentemente violentos e teve seu nome ligado ao cinema em diversas ocasiões e diversas atividades.

Ian Miller - arte farpada!

Ian Miller

8 de fevereiro de 2019

O Guardião

"Perto da hora haverá uma tempestade de estrelas. As estrelas mudarão de posição e a Lua mostrará suas costas para a Terra. Outros sinais vem primeiro, mas não tenho permissão para revelar ... Então tudo ficará escuro... mais escuro do que qualquer eclipse. A Lua, o Sol e as estrelas - todos desaparecerão e o céu descerá para a Terra ... Ninguém vai ser salvo."

Trilhas Sonoras - o cinema por vias musicais

É possível que poucos gêneros tenham dado tanta liberdade de invenção quanto no campo do fantástico. Escolha uma área específica de criação artística entre cinema, quadrinhos, música ou literatura e veja como o fantástico serviu à renovação, à invenção ou à originalidade de propostas só por permitir a inserção de uma sombrinha aqui, uma distorção narrativa ali, uma forma espectral à espreita.
"Filmes de terror precisam muito mais de música do que dramas convencionais", diz John Burlingame nas notas de Amityville Horror. E o Black Phillip faz aqui uma trajetória relâmpago de trilhas sonoras no cinema de terror. Gênero que sofreu mudanças radicais ao longo das décadas e produziu coisas muito malucas e sem paralelos mesmo considerando as evoluções criativas em linhas específicas como o jazz, a eletrônica ou a música clássica. Não é seleção de melhores nem preferências do editor. São só destaques que por algum motivo foram se instalando historicamente como importante em suas épocas.

Outra Música - alternativos alternativos

Música e terror! A gente lembra sempre do óbvio na cultura pop: o rock. O Diabo é o pai do rock! Sabbath, Maiden, metal e tal. Aliás, metal e satanismo dá pra fazer um levantamento bem grande. Mas Black Phillip é espírito de porco e acha que essa associação já deu. Assim como a associação com os góticos. Já sabemos de Bauhaus, Mephisto Walz, Fields of Nephilin, tem um monte. É muito bacana, marcou época (eu ainda escuto bastante). Mas isso tudo já sabemos e já curtimos. Quero mais...

O Mágico

"O vaso media cerca de um metro e vinte centímetros de alto era redondo com a forma aproximada de uma banheira, e feito de vidro excepcionalmente grosso, com mais de uma polegada de espessura. Dentro dele havia uma massa esférica, pouco maior que uma bola de futebol e de singular cor lívida. A superfície era lisa, mas de granulação um tanto grosseira, e sobre ela se estendia uma rede de vasos sanguíneos. Susie contemplava-a com indizível repugnância. De repente soltou um grito. 
– Santo Deus, isso está se mexendo!"

Voci Dal Profondo

Voci Dal Profondo (Itália, 1991)

Diret Lucio Fulci, com Duilio Del Prete, Karina Huff, Pascal Persiano, Frances Nacman, Bettina Giovannini.

Voci Dal Profondo

Autofulci! O último bom momento do godfather of gore! Depois do falecimento de seu pai em circunstâncias misteriosas, a jovem Rosy volta ao convívio familiar que é um antro de falsidade e intrigas. Nem todos os integrantes são da família biológica da jovem e todos tem um único interesse: o testamento do falecido. Este por sua vez era um implacável patriarca de relações conflituosas com toda a família. Agora Rosy, a única aproximação afetuosa do velho magnata, se vê na obrigação de desvendar uma possível trama familiar por trás da morte de seu pai. Mais ainda do que uma simples obrigação, Rosy parece ouvir as súplicas do falecido e tem um revelador contato com ele em um momento de sonho!

Às Portas da Fantasia

"E as figuras se moviam. Os dois homenzinhos se aproximaram das duas mulherzinhas e, tomando-as nos braços, dançaram um minueto guiados por uma melodia cantada mentalmente, era um bailado grotesco executado por bonequinhos de barro, uma horrenda caricatura de vida". (Os Títeres se Vingam)

O Segundo Rosto - um clássico da paranoia!

"Você foi encontrado lindamente morto num hotel, em consequência de um derrame cerebral. Tudo perfeitamente normal e simples tal qual lhe dissemos que seria. O enterro é amanhã. E depois você será cremado. Alguma pergunta?"

1 de fevereiro de 2019

Desde Quando Andam os Walkers?...

A Noite dos Mortos Vivos

Antes de Psicose (1960) o cinema tinha nas criaturas fantásticas a forma mais perfeita de povoar nossos pesadelos. Sátiros, ciclopes, sereias, harpias, vampiros, a criatura de Frankenstein e até o amazonense monstro da lagoa negra, foram, invariavelmente, derivações da figura humana para a composição de um personagem sobrenatural.