Quando os violinos românticos se calaram nas trilhas de cinema em meados dos anos 50, os scores cinematográficos começaram a dizer o que a vanguarda clássica já falava desde os anos 20. Leonard Rosenman, compositor americano que estudou com Arnold Schoenberg, musicou East of Eden em 1955 e inovou o conceito de acompanhamento musical com suas dissonâncias modernistas. Na sequência de abertura com James Dean sentado à beira do caminho e a paisagem de cartão postal, como aquarelas de Norman Rockwell, chevys e moçoilas de laço no cabelo, é a música que nos diz que algo anda muito errado sob essa imagem idealizada de vida interiorana.
Uma vez que as propostas vanguardistas não abordam conceitos como métrica, harmonia e melodia de forma tradicional e avançam em pesquisas e criação alternativas, tornaram-se muito mais provocativas, subjetivas e interessantes. Especialmente se você ouve música como "trilha sonora de alguma coisa". Se você procura "trilha sonora de alguma coisa macabra" então os modernistas na música clássica têm muito a dizer. Dê uma ouvida em Noite Transfigurada de Schoenberg. Foi escrita e 1899! É uma peça que começa a romper com a tradição tonal. Veja se não cabe em algum filme!
Felipe Preto destacou aqui seus compositores preferidos na área. Aí nas fotos temos, Iannis Xenakis (1922-2001), Gyorgy Ligeti (1923-2006) e Krzystof Penderecki (1933-2020).Xenakis (que raramente fotografou de frente, para esconder a deformação facial sofrida na II Guerra), é o mais visceral. Nascido na Romênia de pais gregos, seu trabalho frequentemente agressivo é reflexo óbvio de sua vida: lutou na resistência contra os nazistas, em 1946 foi preso e condenado à morte por atividades políticas, escapou e fixou-se em Paris. Auto-didata na maior parte de sua formação, Xenakis foi encorajado pelo compositor Olivier Messiaen a se manter intuitivo e livre em seu trabalho. Suas composições eletrônicas também foram marcantes. Bohor I (1962) é considerada sua mais ousada e assustadora obra no gênero. Confira mais Xenakis em Metastasis (1954), Diamorphoses (1957), Polytope (1967), Nomos Alpha (1966). Veja mais Xenakis.
Por sua vez, Penderecki teve suas obras diversas vezes utilizadas em filmes de terror como O Exorcista e O Iluminado. Ele também compôs originalmente para o cinema como no drama pós-guerra Szyfry (1965) e para a ficção Je T'aime Je T'aime de Alain Resnais entre outros. A peça mais célebre de Penderecky é possivelmente Threnody For the Victims of Hiroshima (1967). Dificilmente o ouvinte irá esquecer os gritos de agonia dos violinos nessa peça. Alias o uso incomum dos violinos em diversas peças desse compositor criam uma atmosfera de desconforto constante. Em String Quartet.1 (1960) ele praticamente esgota o uso alternativo do instrumento ao extrair sons percutidos, pancadas com o arco e pizzicatos aleatórios. A peça Polymorphia (1961, usada em O Exorcista), partiu de um principio bizarro de criação ao utilizar o eletroencefalograma de pacientes mentais como base para a partitura! Apague as luzes para ouvir as citadas Polymorphia, String Quartet e ainda Fonogrammi (1961), String Quartet.2 (1968), Di Natura Sonoris II (1971).
Estão aí apenas três dos maiores compositores da vanguarda.
Black Phillip então recomenda ... apague as luzes,
deite-se de mão dada com ninguém ... e ouça...
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